Sentada no chão frio da sala
Sob a luz do enorme candeeiro,
A criança ouve, em jeito de criança, os gritos da televisão
E de jornais e de revistas espalhados por ali.
Aquecimento global,
greenhouse effect, mudanças climáticas, furacões!
Ah, Terra!
Que metamorfose tão veloz e devastadora!
Ondas de calor
Quarenta graus
Uf, que calor abrasador! 
Ciclones
V-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v canta o v-v-v-v-v-v-vento
E dança em
quick-motion!
Mais desertos
Mais furacões
Mais água, menos gelo!
Ping
Ping
Ping
Ploc
Ploc
Gr-r-r-r-r-r-r-r
Pum!
Partículas afastam-se, átomos zangam-se, eis o estado líquido de H2O!
Inundações! Ó Veneza que já não és única!
Entretanto os oceanos suspiram em mais uma onda junto à praia
S-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s
F-f-f-f-f-f-f-f-f-f-f
S-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s
F-f-f-f-f-f-f-f-f-f-f
E mal sabem que agora são cada vez mais grandiosos
E que têm mais nível.
Ecoam sistemas de solução
Ecossistemas soluçam
Constrói-se um ciclo vicioso e somos todos olhos abertos que não vêem!
Ah, países tropicais, cores, tribos
U-u-u-u-u-u-u-u-u-u-u-u-u
Agarrem as florestas
Olhem pelas raízes
Fechem os desertos!
Afastam-se cada vez mais partículas, zangam-se mais átomos,
Evaporam as águas dos oceanos, nascem furacões, ciclones e tufões!
Mais!
V-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v-v!
Idosos, crianças, ameno, ameno, ameno, quente, abrasador, abrasador!
Ui! Ui!
Ó, Europa amena! Acorda outra vez para este Mundo ao contrário!
Toca a levantar! Coragem!
Ó dezasseis de Fevereiro de dois mil e cinco! Paraste nesse dia?
Paraste nesse tempo?
O tempo é que não paraste!
O3, CH4, CO, mais um O e
voilá CO2!
Uf, que calor abrasador!
Cidades que sufocam
Campos que secam
Cheira a queimado
Clima perdido
E ainda cheira a queimado…
Ó temperatura global que não queres descer! Desce! Desce de vez!
E tu,
USA, que fechaste os olhos?
Sente-te responsável!

Espera para sentires o prejuízo no desenvolvimento sustentável!
Ah,
States…
O teu
stado não se vai futurar
pleasant!
Please open your eyes!
(Ó Planeta Azul, que caminhas num
dégradé que termina em Cinzento…)
Ainda iremos a tempo? Irra! Tempo é sempre tempo!
Cubram-se os combustíveis fósseis
E descubram-se os fósseis!
Ah, tomáramos nós ser máquinas do tempo!
Produzam-se biocombustíveis,
Coloquem-se catalisadores nos carros, carrinhas, motas e camiões!
Brrrum, brrrum!
Abram-se os olhos sob a atmosfera!
Peçamos ajuda ao vento, à água e ao Sol, que nunca nos deixaram sozinhos na Terra.
Deixemos o Sol entrar pelas janelas – desliguem-se os candeeiros durante o dia!
Dêmos-lhes forma de energia solar
Esculpam painéis fotovoltaicos nos telhados e não culpem o Sol por faltar água quente!
Dêmos-lhes forma de energia eólica
Gigantescos aerogeradores que giram, giram, giram!
Dêmos-lhes forma de energia hidroeléctrica
Ah, rio que corres! Corre, corre, corre!
Pintem-se os espaços de verde,
Plantem-se árvores, oxigénio e vida!
Troquem-se impressões nos autocarros!
Limpe-se o pó da bicicleta!
Atchim! A-a-a-a-tchim!
Ah,
Mr Presidents…
Não têm a certeza de que o aquecimento global é real?
Ó ditos poderosos, que não têm coragem para ter certezas!
Simplesmente não querem tê-las!
Agora, ch-ch-ch-ch-ch-ch-ch-ch-ch-ch-ch-chove lá fora.
E se há instantes a criança via pela janela gelada
A Serra da Estrela coberta de neve, agora não vê mais que uma silhueta sombria
E quase nada.
Tudo por inteira culpa do nevoeiro e da noite e de nós.
Talvez uma vela lhe dê forma.
Clic!

(Poupe-se qualquer outra forma de luz.)